Quarta-feira, Julho 09, 2008

Flatline

Por muito que pareça, este blog ainda não morreu. A ausência tem motivos simples demais para mim, complicados demais para a blogosfera.
Está naquela fase do episódio em que o nosso herói se vai abaixo e o médico começa aos gritos, de pás nas mãos: AFASTEM-SE! Sabemos que ele não pode morrer, mas o nível de tensão faz-nos sofrer demasiado.
E sabendo que ele não morre, a nossa vida faz sentido outra vez, mesmo sabendo que a qualquer altura a produtora pode cancelar a série por falta de audiências ou até que os actores se aborreçam de vez com o argumento lamechas.
Onde é que eu quero chegar com isto? A lado nenhum. Simplesmente vim aqui dizer ao público que teima em cá passar (e ao qual muito agradeço) que isto ainda não está acabado. Está apenas à espera do choque para arribar e recuperar o batimento cardíaco normal.
Posto isto, ausento-me. Por tempo indeterminado. Pode ser até amanhã, pode ser mais. Não interessa. Porque o Eskisito Rules vive sempre (mais ou menos como uma carraça, mas sem a parte do sangue, que isso faz confusão à minha querida mulher).

Segunda-feira, Junho 30, 2008

Ando com necessidades...

De tempos a tempos, apetece-me fazer uma espécie de avaliação da minha pessoa. Não da minha vida, mas de mim. Eu enquanto ser humano.
Sempre me identifiquei com os vilões das histórias. Não tenho paciência para pessoas boazinhas e essas coisas. Não simpatizo com causas e acabo sempre por achar algum defeito nas mesmas. Para causa humanitárias chego eu. Não tenho paciência para crises emocionais, depressões, manias e possessões. Para pessoa necessitada de psiquiatria chego eu. Não tenho paciência...pura e simplesmente.
E será que isso me torna má pessoa? Será que não tenho sentimentos? Errado. Segundo as pessoas que me conhecem, até tenho sentimentos a mais. A vida já me deu pancadas fortes na cabeças mas eu, teimoso como sou, continuo a acreditar no ser humano e nas suas coisas.
Irrita-me esta falha na definição do meu ser. Queria poder dizer simplesmente: sou uma má pessoa. Uma espécie de House nas suas deambulações médicas e humanas. Mas não o sou.
Também não sou boa pessoa. Não consigo deixar de pensar nisso.
Afinal? Instável sou de certeza. Todos somos. Humano? Não me chega como argumento para me caracterizar. Chato? De certeza...
Pode ser que daqui a uns anos tenha uma resposta. Pode até mesmo ser que isto não interesse para nada. Provavelmente...

Quinta-feira, Junho 26, 2008

Resumo da obra feita

Em 1997 inscrevi-me num curso. Em 2002 acabei-o. Tornei-me professor. Com um P minúsculo. Esperava arranjar colocação e começar a utilizar o que aprendera. 3 anos depois iniciei a minha actividade lectiva. a ensinar Inglês no 1.º ciclo, uma experiência do Ministério para calar algumas bocas e abrir muitas mais.
3 anos depois continua tudo na mesma. Continuo a ser um professor com P minúsculo, continuo nas AEC, continuo a perder tempo da minha vida com isto. Mal pago, sem planos para o futuro, com um sistema de educação cada vez pior. Irrita-me. Chateia-me. Perturba-me.
Mas nem tudo são espinhos neste mar de...espinhos. Tinha 3 escolas este ano. 7 turmas. 140 alunos. Um pesadelo logísitico de burocracia e pessoas pequenas irritantes. Apenas uma turma numa das escolas. Curiosamente, a escola onde me relacionei melhor com as professoras que a gerem. Desde uma coordenadora com uma tendência permanente para ter um AVC, a uma directora que é o que sempre se espera de uma directora. Calma, simpática, mas uma directora de palavras e acções. Se tudo correr bem, este ano foi o seu último. Um ano em que me conheceu, o que só por si, faz com que qualquer pessoa precise de reforma.
Esta escola e estas pessoas fazem-me pensar que afinal existe mesmo uma luz ao fundo do coiso. Que existe uma esperança para este sistema de ensino que nos atira aos lobos e se esquece de nos dar armas.
Para o ano, espera-me mais do mesmo. Mas este ano acreditei, por momentos, ser um professor com P maiúsculo.

Terça-feira, Junho 17, 2008

Na mouche

Reportagens na televisão e vários artigos nas revistas – vêm aí os exames do Básico e Secundário e os vários ‘psis’ (pedopsiquiatras, psicólogos, psicopedagogos, etc.) alertam as famílias para situações de stress e traumatismos vários. Por mim, fico sempre traumatizado com esta pobre gente, os profissionais da vitimização.
É o seu negócio, bem vistas as coisas. Agora são os exames; em Setembro, o regresso às aulas; em Dezembro, os presentes de Natal e as notas do primeiro período – em tudo haverá motivo para julgar que, à nossa volta, nascem e crescem crianças traumatizadas. Ora, a verdade é que tudo exige esforço, trabalho e sacrifício, mas os "pedagogos" preferem criar culpados e vítimas. Às vezes apetece chamá-los à razão. Mas não à estalada, que ficam traumatizados.
Francisco José Viegas

in: Correio da Manhã de 17/06/2008

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Para fechar com chave de ouro

Numa altura em que Portugal passa pelos seus piores momentos, num momento em que este blog destilou ódio e desgosto pelo país e pelas suas gentes, chega a altura de escrever sobre algo que sempre me agradou neste país: as suas terras.
Se o país se encontra como está é devido às suas gentes. Mas as terras que os nossos antepassados construiram são uma verdadeira homenagem à beleza e ao trabalho.

Já percorri este país de ponta a ponta e ainda não conheço metade dele. Já vi sítios com tal beleza que nenhumas palavras conseguiriam descrever a sua beleza e a forma como me senti ao observá-los. Desde o mosteiro da Batalha aqui tão perto, até Santa Luzia em Viana no meio do seu monte. Da Igreja da Penha em Portalegre e os seus nasceres do sol que tantas vezes me aqueceram o coração, ao maravilhoso Mosteiro dos Jerónimos, sinal de outros tempos de glória. De La Sallete em Oliveira até ao Aqueduto da Amoreira em Elvas, de Barcelos a Évora, de ponta a ponta, de lés a lés. Todo este país está cheio de beleza e de maravilhas. Todo este país está pleno de locais que me fazem pensar na sorte de viver num lugar tão belo.

O problema é que tenho de falar com os nativos, o que estraga um bocadinho o efeito.

Fica aqui a homenagem a todos os que resmungaram comigo por ser um traídor à Pátria, mas especialmente à Elvira que me conseguiu lembrar da única coisa que ainda gosto no meu país.

Terça-feira, Junho 10, 2008

Teresa, a culpa disto tudo é tua...

Um pequeno vídeo...

video

...que mostra a nossa pequenina que faz hoje um aninho.

Obrigado Teresa, por me teres convencido!

Segunda-feira, Junho 09, 2008

O típico português

E como conclusão da minha trilogia de posts a dizerem mal de portugueses e de hábitos e manias parvas, coloco apenas duas fotos (deviam ser três, mas na terceira ou tirava a foto, ou sobrevivia, portanto até se percebe). Fotos de um senhor que tem uns hábitos particulares de estacionamento. Senhor que é familiar de um presidente. Senhor que é intocável na terra, indiferentemente daquilo que faz. Senhor que me asseguram ser uma daquelas reais bestas (reparem que não sou eu que afirmo isto, portanto, não me podem processar por difamação, eu sou apenas o mensageiro). E senhores como este não faltam em Portugal. Fazem o que querem, apenas porque são filhos ou pais de...
























Mas, a Elvira convenceu-me a escrever algo diferente...fica para o próximo.